Uma moderna casa de campo biofílica, que se integra harmoniosamente na natureza, foi concebida para oferecer aos seus moradores uma profunda sensação de bem-estar e de ligação ao meio ambiente. A residência foi concebida por Steven van Leeuwen, do gabinete ORGA architect, e pelo paisagista Nico Wissing, de tal modo que se podem observar materiais naturais e formas orgânicas por todo o lado, tanto no interior como no exterior. A madeira é um desses materiais naturais. As sustentáveis tábuas Marugame, da Zwarthout | Shou Sugi Ban, foram utilizadas para revestir as paredes da parte posterior da casa, servindo também como elementos elegantes do design. A sua refinada textura escamada e o seu brilho prateado harmonizam-se belamente com os elementos da fachada em madeira Fraké, com os terraços, as balaustradas e os forros dos beirais.
Materialização criteriosa e harmoniosa
A escolha dos materiais da fachada confere a cada camada do edifício uma identidade própria, ao passo que, no seu conjunto, formam um todo harmonioso. A estrutura portante é composta por uma combinação de elementos em estrutura de madeira. Os pavimentos e a cobertura são fabricados em madeira lamelada cruzada (CLT), o que possibilita a criação de grandes baloiços sem necessidade de estruturas metálicas pesadas.
Propriedades materiais únicas da madeira carbonizada
A madeira carbonizada Marugame foi selecionada como revestimento de fachada devido às suas propriedades materiais únicas. Este material de base biológica é extremamente durável, com uma vida útil de pelo menos 50 anos acima do solo, e requer manutenção mínima. A sua cor preta intrínseca, criada pelo processo de carbonização, mantém-se estável ao longo do tempo, sem necessidade de pintura. Como explica Steven van Leeuwen (ORGA Architect):
“O paradoxo de queimar a madeira para a proteger soa contraditório, mas é genial.
Na ORGA, somos fortes defensores de materiais de base biológica que comprovam o seu valor. Veja-se, por exemplo, a nossa colaboração com a Zwarthout | Shou Sugi Ban. Ao carbonizar a madeira através da técnica secular *Shou Sugi Ban*, cria-se uma camada protetora natural que dispensa o uso de tintas ou produtos químicos.
O resultado é uma fachada repleta de personalidade que perdura há gerações. Em três projetos recentes, pudemos constatar como este material confere um aspeto robusto e intemporal, ao mesmo tempo que contribui para uma arquitetura bela e de grande qualidade.
Menos manutenção, e, ainda assim, um edifício que se torna apenas mais belo com o passar do tempo. Para nós, isto representa, de facto, um design à prova de futuro.”
Uma arquitetura que se integra perfeitamente na paisagem
A arquitetura está cuidadosamente sintonizada com o ritmo natural do local, onde um terreno suavemente ondulado, árvores maduras e uma charneca aberta se unem numa paisagem de múltiplas camadas. Em vez de impor uma geometria rígida, o projeto segue as linhas suaves e orgânicas da envolvente, com curvas subtis e fortes gestos horizontais que ecoam os contornos do terreno. Esta abordagem cria uma transição gradual e quase impercetível entre a forma construída e a natureza, fazendo com que a casa pareça ter pertencido a este lugar desde sempre.
As diferenças de nível existentes não são tratadas como uma restrição, mas sim como uma qualidade definidora do projeto. Ao embutir parcialmente o nível inferior na encosta, o volume é visualmente reduzido e ancorado ao terreno, fortalecendo a sua ligação com o local. Ao mesmo tempo, a composição horizontal acentuada — articulada através de fachadas em camadas, beirais generosos e uma paleta de materiais refinada — enfatiza a relação com o horizonte e a paisagem circundante.
O posicionamento da casa principal e do edifício de recreio adjacente reforça ainda mais esta integração. Embora partilhem uma entrada coletiva e discreta, os edifícios voltam-se subtilmente uns para longe dos outros, criando uma sensação de autonomia e privacidade. Este arranjo criterioso assegura que cada volume capta as suas próprias vistas e atmosferas distintas. Do interior, a experiência muda continuamente: vistas íntimas e emolduradas de troncos de árvores e da vegetação rasteira dão lugar a panoramas expansivos sobre a charneca, estabelecendo um diálogo contínuo entre o interior e o exterior, a arquitetura e a paisagem.
“O projeto é, em todos os aspetos, o mais refinado, aperfeiçoado, equilibrado e integrado na natureza envolvente.”
— Júri do Prémio de Construção em Madeira
Vencedor do Prémio Construção em Madeira 2025A casa de campo biofílica foi eleita o melhor projeto de construção em madeira dos Países Baixos na categoria de habitação privada. O júri selecionou o nosso projeto porque “é, em todos os aspetos, o mais refinado, aperfeiçoado, equilibrado e integrado na natureza envolvente”. O arquiteto responsável pelo projeto, Steven van Leeuwen, recebeu com orgulho o troféu de madeira.
Uma arquitetura que continua a evoluir, a enriquecer e a perdurar.
Em última análise, a força desta casa de campo biofílica reside no seu cuidadoso equilíbrio entre arquitetura, materiais e paisagem. Cada elemento contribui para um todo coeso, no qual nada parece imposto, mas tudo é deliberado. A utilização de madeira carbonizada como parte da paleta da fachada confere profundidade e tato, reforçando subtilmente a ligação com a natureza, ao mesmo tempo que oferece durabilidade e uma sensação de intemporalidade. À medida que o edifício sofre a ação do tempo e se integra na sua envolvente, torna-se não apenas parte da paisagem, mas uma extensão da mesma — uma arquitetura que continua a evoluir, a enriquecer e a perdurar.